"Eu amo aquela mulher
que está em muitos lugares
como uma lua desejada.
Paixão que vem de longe
e sempre em minhas veias,
vísceras e sangue.
Uma mulher de incontáveis amantes
duros e ternos, dos quais muitos
chegaram ao extremo por ela:
- morreram de amor.
Essa mulher tão clara e transparente
tem o sabor gostoso fabricado em sonhos
igual dois sexos disputando a vida.
Perdi algumas vezes, de ter entre meus braços
o corpo vivo da minha paixão.
Foram derrotas para rivais mais fortes.
E reconheço: eles fizeram jús ao meu ciúme e mereceram o meu abraço cúmplice.
Não me senti traído.
E outras frustrações são esperadas
pelos amantes espalhados, distraídos
nas avenidas repletas de pretendentes
vacilantes.
Não abdico jamais e apesar de tudo
do meu direito de paixão por essa mulher.
Um dia eu a verei chegar à minha alcova
(mesmo que seja a última),
depois que ela tenha percorrido o íntimo segredo
de todos os amantes, felizes , liberados.
Só não alcançarei o gozo da libertação
por uma só e única verdade:
- Feliz, terei morrido antes da paixão,
por essa MULHER de nome REVOLUÇÃO!"
-Rubens Lemos
No aniversário da "revolução de 64" nada melhor do que uma citação ao meu ilustre avô que tanto sofreu por esse periodo. Ele sim sabia o que era REVOLUÇÃO.
segunda-feira, 31 de março de 2008
A mulher
quinta-feira, 27 de março de 2008
Circeatro
Hoje é dia 27,
Celebremos a alegria.
Que hoje é o dia do teatro,
Do circo e da fantasia.
Músicos e poetas,
Palhaços e malabaristas,
Nossa vida é uma peça,
E todos nós somos artistas.
terça-feira, 25 de março de 2008
Préfeito
Eu não sou perfeito para ti,
Tu não és perfeita para mim,
Mas nós, somos pré-feitos um para o outro
sábado, 8 de março de 2008
O dia
Boa noite e bom dia,
Eu adoro esse dia,
Se faltarem nesse dia,
Esse dia não é dia.
(23-11-1998)
Esse eu escrevi aos 6 anos de idade, e se houvesse ordem cronológica, esse seria o primeiro poema que eu escrevi, embora sem consciência disso. Marco zero? Sim, foi esse.
Ele me lembra uma vida tão bela, onde os dias pareciam rastejar diante da minha felicidade, onde sentar ao chão gelado, e ao mesmo tempo se queimar pelo sol poente -e mesmo assim escaldante- das 16h horas era de uma sensação de vida inexplicável.
Me lembra que problema era apenas mais uma palavra que eu sabia falar, e que se algo poderia se assemelhar a isso era o fato de ter que comer salada no almoço. Isso sim era um problema. E que problema...
Me lembra que amor era importante sim -e já existia-, que família era importante sim, que amigos também eram importantes, mas que nenhum jamais conseguiria viver sem o outro.
Me lembra que a beleza era relativa, eu podia fechar os olhos, sorrir, e abri-los novamente, e tudo, tudo poderia estar diferente - e de fato estava-.
Me lembra que pensar era bom, e bom mesmo, era não pensar. Pensar na vida, no universo e após, exausto, estar satisfeitíssimo. Pensar, pensar e pensar. E sequer chegar a lugar algum. Tão estúpido, tão bom.
Me lembra que minha insignificância -e eu tinha consciência disso- era de tamanha significância... Ao menos eu não engava a ninguém ao parecer importante. Né isso que fazemos hoje?
Me lembra que eu não era exigente com o mundo, e por isso ele me era mais generoso. Se eu via perfeição em uma unha, imagina numa festa?
Me lembra que pessoas existem, e não se relacionar com elas é não compartilhar a felicidade. Ninguem nasce sozinho, ninguem vive sozinho. Qual a razão de ser feliz e sorrir, se não tem ninguém para vê-lo?
Me lembra também que solidão, era apenas pretexto de adulto que não tem mais sorrisos a oferecer para que haja reciprocidade.
Me lembra que eu não precisava lembrar de nada para fazer comparações. Isso mudaria alguma coisa? Feche os olhos, lembre, e assim como eu chegue a conclusão de que não se deve lembrar. A vida existe pra ser vivida. Nada mais.
O sol já vai se pôr, o dia ja vai acabar, e assim como eu bem lembro, o pôr-do-sol, a lua, o dia e o mundo, continuam os mesmos, intáctos, desde que eu tinha apenas seis anos de idade.
Vai ver eles não se preocuparam em lembrar.
Chega de nostalgia por hoje.
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