Flácidovolatidez eterna.
Pseudo-Zélig não hesitante,
Consuminte secundário das minhas certezas dúbeis.
Estupidamente certo do que é. (quando nem percebe o que não é)
Irritante.
A-identitário insgnificante.
Engula o que já não mais sou,
Arrogante.
Sua metamorfose que sequer tem capacidade para ser ambulante.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Flexibilidade Extrema
domingo, 20 de abril de 2008
Um pouco de música, feijão e arroz - Parede IV
Reajo.
Ligo a vitrola que emite ruídos distorcidos a cada volta do vinil.
O som que sai das suas caixas amplificadas reverbera nas paredes suavemente, imponente.
A parede treme com o barulho que eu queira.
Sinto-me possuídor do poder de escolha.
Decido aleatoriamente derramar música para a parede, e ela a transmite para minha alma.
O caos se estabelece enquanto me ponho faminto por harmonia.
Algumas notas, soltas, loucas.
Não só algumas. Todas.
Engulo um pouco do mundo, da dor, do amor, do horror, dos sorrisos, dos castigos.
Só paro para virar os lados, ou trocar os discos.
E mesmo assim não paro: faço uma breve mastigação e engulo.
Experimento de tudo um pouco.
Desjejum após dias.
Digestão maravilhosa.
Sinto-me mais do que satisfeito.
Sinto-me feito.
Após certo tempo vem o óbvio:
A gula manifesta-se.
Refluxo.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Tudo é nada - Parede III
Acordo suado, cansado.
Ser cansa.
Essa exaustão é o que me faz sorrir ao acordar,
antes de cair em consciência da cruel realidade.
Sorriso sim, porque o vazio que tanto me preenche
me proporciona infinitas posibilidades.
Possibilidades de ser,
mas não simplesmente ser.
Ser qualquer coisa que se queira,
e ainda assim simplesmente ser.
É como um teatro para as paredes.
Eu sou ator de diversos papéis,
no entanto, não há mais ninguém além dela que realmente saiba o que sou:
Simplesmente eu.
Estou, agora, além de limpo, descansado.
E nessas condições, tudo que for posto a minha frente será absorvido até a ultima gota de sinceridade.
Posso tudo por não ter nada.
Ora se tivesse, não haveria espaço.
E o nada é fundamental.
Pois tendo-se pouco, ainda assim pode-se muito.
Mas tendo-se nada. O infinito não é finito.
Tudo é, e não é, ao mesmo tempo, o limite.
Enquanto não cair por terra na realidade,
não há limites:
Somente a parede.
Simplesmente ser - Parede II
Não mais submerso,
O grosso secou,
e tanto a parede quanto a alma
Agora limpas, perecem no sono profundo.
Os gritos não mais ecoam, os sonhos não me atordoam.
O silêncio, o vazio, a nulidade:
Não é insignificância, é leveza.
Gozo por poucas horas do prazer de simplesmente ser.
Não por simplesmente ser, mas por sentir, e ainda assim, simplesmente ser.
Ser por ser, sei eu e sabe qualquer um.
Todos debaixo das máscaras, simplesmente são.
Aquela noite eu fui além. Eu me preenchi de máscaras.
Chorei as minhas mágoas.
Tive o poder em mãos, poderia ter ignorado a dor, ou tê-la abraçado até ultimo soluço.
E decidi, mesmo assim, simplesmente ser.
Agora eu sou enquanto durmo.
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Córrego - Parede I
Meti uma noite de ódio na parede.
O pranto foi a arma.
O quarto que ecoava o som abafado das porradas,
Reflexo deixado em marcas de uma violência minha, extravazada.
Colada nas paredes em forma de adesivo:
A poesia é quem estanca.
(ao menos tenta)
Band-aid literário. Falho.
Pelos buracos só eu podia ver que escorria, invisívelmente,
mas como num córrego,
o pranto incontido das minhas palavras.
Afogo-me.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Refeição
Primeiramente e antes de mais nada eu preciso que você feche bem os olhos.
Feche e engula tudo que te aflinge, tudo que te incomoda, tudo que te alegra, que te revolta, te contenta, tudo que te tenta (é provável que o acumulo de tensões cause engasgos).
A digestão deve ser paciente.
Após certo tempo o organismo absorve o que se aprendeu com tudo isso, e o indigesto, o que realmente te incomoda, ele excreta.
A lágrima é a excreção.
Escorrida a lágrima, alimentada e limpa a alma é a hora da sobremesa:
Abra os olhos e olhe no fundo dos meus.
Olhe com sinceridade, e perceba que também mantive meus olhos fechados. Compartilhamos por breves minutos a mesma refeição.
Sinta-se igualmente diferente comigo. Sinta-se diferente, sinta-se comigo. Sinta-se.
Tudo que sentir-mos poderá ser classificado como sobremesa. Saborosa.
E é então que vem, o mais simples, porém mais aguardado momento da refeição:
A hora do café e do cigarro.
A refeição simplesmente perde grande parte do seu sentido sem os mesmos.
E assim como um bom café e um cigarro após cada refeição é o nosso beijo após o sentir.
Breve e sujo.
O prazer completamente dispensável.
No entanto inegavelmente necessário.
No entanto brevemente eterno.
No entanto sujamente maravilhoso.
Depois vem o sono.
Dormimos abraçados e sonhamos, para além, muito além das refeições.
(só acordamos para o jantar)
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Repulsa
Sente minha repulsa.
Inocente, mas confusa.
Vai embora minha musa.
Vai contente, vai você.
Co'licensa, eu vou embora,
Já é dada minha hora.
Como tu, eu falo agora:
-Prazer, foi bom te conhecer.