sexta-feira, 30 de maio de 2008

Virtuoterapia

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- Olha, o senhor precisa se acalmar.

- Eu, eu, eu sei! Mas é uma angústia, é uma dor.. é.. é.. É inexplicável! é..
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-Repete comigo senhor, "o teclado é meu amigo e eu não posso perder a calma".

-O teclado é meu amigo e não posso perder a calcbsoEWHPUOFLN s~D ÇSL.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Lâmina

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Sua cabeça sobre meu seio,
A sua dor que escorre e me corta verticalmente até o ventre,
O trajeto marcado por uma mistura lúgubre de sangue e lágrima.

Ferida exposta.
Nem o tabaco, nem toda vodka,
irá conter qualquer vazamento do meu ser.

sábado, 17 de maio de 2008

Mais um sopro na corda bamba

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Sinto como se escalasse a felicidade no circo da vida.
A plateia atenta, assiste como se visse em meu medo um filme,
No topo da situação, no alto ardor da paixão eu hesito mas caminho,
Por entre a corda bamba que me segura, mas que é o meu espetáculo.
A felicidade hesitante, vacilante, tremula com os ventos que me balançam
-os mesmos ventos que sussuram o nome dela-,
A sensação de estar por cima, e balançar como se estivesse prestes a bater as asas,
ou apenas os calafrios de ter me entregue com a alma -coisa que ela não fizeste-.

As minhas ilusões desabam comigo, uma queda fatal, a platéia se divide entre os que riem e os que berram, os que já amaram e os que já caíram.
Meus olhos mantêm-se fechados durante todo o percurso, e assim como uma ave abatida vê a vida ir embora enquanto cai, finalmente livre, sinto-me, por uma fração de segundo, cheio de felicidade, cheio de liberdade, enquanto meu coração morre, dilacerado como a minha face a ser cortada pelos ventos frios e cruéis.

-os mesmos ventos que sussuram o nome dela-

domingo, 11 de maio de 2008

Impotência

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uma taça de vinho,
a tontura que me leva ao teu quarto (sentidos limitam-se a instintos)
a minha presença se faz notável ao seu lado.

desaguo na cama, dois universos unem-se assim deitados, abraçados.
a pretensão de já suspeitar o final destino da boca,
desatina a minha calma. tremores, medo.

um querer assim tão grande, atrai multidões ao quarto
o calor se insta-la.
o alcóol transita pelas bocas charlatãs que se sentem alguem. ridículos.

os risos tornam-se mudos assim como as luzes que se apagam.
o silêncio limita-se aos nossos corações acelerados.
a mão que hesita em tocar a sua face, o medo.

e toco-lhe, com todo o tremor de uma criança que não sabe ao certo por onde palpar, sinto seus olhos que se fecham, sequer enxergo-os, simplesmente sei que eles se fecharam.
sei também que ao tocar sua face, toco mais uma vez a sua alma, alma no momento atenta para a minha mão.

tal mão que a puxa, mas sem que eu queira, puxa como que por instinto,
soubesse aquilo ser o certo, incerto era duvidar, puxa-a até o momento em que já se torna previsível o futuro desses frouxos movimentos. e assim se faz.

os rostos se tocam, hesitam, calma, certeza? o ar quente que sai dos nossos tão conectos narizes se revelam o medo, inseguro, desejo, consumado, beijo.
enfim o beijo. beijo, consumado, desejo, inseguro, medo.

-isso não está certo.

poucas palavras que cortam o meu coração com a faca menos afiada que tens na casa,
menos afiada pois a dor é maior, é a tortura de sangrar sem feridas,
o beijo se interrompe e sangro de costas para ti, viro-me arrependido e descanso calado.

pouco tempo se passa para que você decida novamente brincar com a ferida exposta,
o seu pé toca o meu e me acorda de um cochilo vacilante.
a sua mão que acaricia a minha sem certeza nem convicções.

insegura.

e eu novamente me exponho a tais lascivas armadilhas, novamente me viro pra encarar o caçador e não me importo, até gosto, de ser a caça. me entrego. mas me entrego a uma dor assim de graça. desgraçado eu de tão estúpido, beijo-a novamente com todo o amor do mundo.

o amor não fora suficiente:
- isso não está certo.

impotência:
você dorme. eu choro.