O veículo que nos arrasta,
a velocidade que nos ampara,
Passageiros da lucidez,
um assento é o que nos separa.
O veículo viaja per horas,
o cronômetro é a eternidade,
É incrível a infinita distância,
da nossa proximidade.
A porta permanece travada,
os cintos sufocam o corpo,
Só a saudade encontra a saída,
na brecha da dor do outro.
(não conte a ninguém. mas a saída é a lágrima)
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Lúci-dor
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Assabiándo
Hoje eu vi um sabiá.
Ele voava livremente pelos campos e folhagens de cerrado da chapada.
Mas eu, sempre tolo, seguia numa estrada em linha reta.
O sabiá não.
Ele ia sem rumo. Rumo a liberdade, talvez.
O sabiá cantava, encantava.
Mas só aos mais atentos.
No caso, eu.
Ele ia pareo a mim como que me esnobando, vigiando, como se estivesse cuidando.
Era engraçado ver o quanto a liberdade do mesmo respeitava a minha liberdade.
Ou seria respeitando a minha limitação?
Não importa.
Não importa qual a velocidade que eu ia, ele estava ali, do meu lado.
Pode ter durado 5 segundos, ou 30 minutos, ou a eternidade.
Na verdade, pouco importa.
A única coisa que posso dizer é que por todo momento eu tinha em mente apenas uma certeza:
O sabiá era você.
E você estava indo, tão suave, tão imponente, embora.