quarta-feira, 23 de novembro de 2011

hérnia de umbigo

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não sei se é o meio-dia, o meio-fio ou o fio da meada.
já não posso fiarme em diapositivas.
uma visão positiva por hora serve e logo me escapa.
me sinto só, como(,) jamais servido.

para que o banquete sem o entre talheres?
entreolhamse os que à mesa jantam,
vejo a mim mesmo e sequer me enxergo.
adeus esteves. ai essa hérnia de umbigo.....

inflamada do que já não sou,
e do que nunca serei, inflada.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

o verbo relativizado

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o tempo,
foi pro espaço.
o espaço,

sábado, 20 de agosto de 2011

私のお金はどこにある、くそ? - volto a escrever por aqui

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Ele acordou com asía e não sabia muito bem se era a Asia aquilo que aos poucos se desembaçava aos seus olhos na janela de defronte.

Pensou nos dias que foram e no hoje que tarde já lhe derrubava da cama. Lembrou-se do sol, dos anos. Do calor, que com o seu atroce fritar de nervos cutâneos progressivamente contamina o cérebro com uma impaciência sem precedentes (agosto parecia não ter fim, e ele sempre foi dramático ao hiperbolizar).

-Oba! É mais um dia que começa!
Disse em auto-sarcasmo desesperado.

Descobre, então, que ao seu lado acabara de acordar àquela puta da esquina do tailandês de não longe. Os segundos seguintes se reservaram ao tropeço retrospecto a fim de descobrir se havia -ou não- usado camisinha horas atrás. Prontamente desiste desse raciocínio antes que, se não bastara esquecidamente senil se descobrira também aidético.

- Watashi no okane wa doko ni, kuso?
Disse aquela-que-ele-não-sabia-o-nome, com a maior cara de cú, o que ele poderia (em bom baianês) ter dito com cerca de quatro palavras. De fato, teve que pagar o dobro por comer o seu cú, fenômeno que até última instância gerou discussão acerca do estado ontologico da possivel estafa a que ele acusava à vadia.

Constrangido, pagou 5000 yenis (1500 mais do que devia) ao ser intimado com a camisinha melada de bosta que ela lhe trouxe do banheiro à varanda em quanto ele gozava do primeiro cigarro sob o fim-de-tarde de uma Tokyo magenta. Sequer havia gozado, ao menos não na camisinha. Preferiu esquecer, antes bosta do que nada, pensou. E antes uma rapidinha do que troco, logrou a sua lógica ao fazer valer
-huh!
o valor
-huh!
agregado à vergonha
-aaaaah...

Contemplou a japonesa ir-se em quanto se lembrava da asía que assomava-lhe, quando exclamou:
-Malditas Chang hedónicas!
A essa altura já tinha certeza de que colocavam algum entorpecente químico 'gastro-intefatal' nessas cervejas. Químico aparentemente aditivo, uma vez que mesmo assim, e talvez por isso mesmo, era incapaz de não bebê-la a cada despretensiosa visita ao tailandês este, cada vez mais frequentes.

Pensava nos amigos, nos domingos, lembrou-se do Faustão e vomitou morosidade. Demasiava-se em sufoco ao cabo do sol que se punha. Refluxo dos seus sonhos, os dias duram já o infinito e cada vez um tanto mais. Os anos, não obstante, se expremem em 24 horas e cada vez menos.

O fim-dos-tempos é o tempo que leva o sol em se pôr, cada vez mais estático, cada vez mais patético.
Como um cigarro ao que se traga, mas que já pouco queima.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

a cor da pureza

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Uma pseudo-circunferencia -pois na verdade é elíptica-
Borrada por entre os cimentos,
A esfera distoando dos cubos tão humanos, urbanos e cinzentos -pretensiosos cubos pintados de branco com o intuito de parecerem um tanto mais puros-

Como que esnobando ela surge em tons de amarelo
Descrevendo sua silenciosa órbita sem fazer muito caso,
Em que por acaso eu vi ao chegar na varanda de concreto,
tentando concretizar o sonho tão humano de me pintar de branco, sair do cubo e ser um pouco mais puro.


Estou imundo de significados e metáforas.
Pintar-me-ei de amarelo.

terça-feira, 19 de maio de 2009

amor proibido

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toco-te ao acaso,
sob o inverso do ocaso,
de mais um dia que amanhece.

sinta a leveza dos passaros
que deslizam pela sua nuca,
provocando arrepios através dos meus dedos.

nosso amor um tanto nascente.

não se pôr, se propor, se recompor.

se negue, não se entregue, evite meu colo.


agora durma, que eu durmo,
e dormindo, enfim, estamos livres-pelo-amor.


(qualquer coisa a culpa é dos nossos sonhos.)

domingo, 29 de março de 2009

Ao-topo-ias.

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Veja esse céu negro,
Encharcado de mistérios,
Encontra no buraco da lua
o ralo do esclarescimento.

Me vejo avesso ao céu.
Olho o céu como a uma criança:

Embebecido de incertezas,
Minha alma é negra de tantas interrogações.
Cade a lua do meu ser?

Lua. Falso objeto.
Lua. Falsa mentira.
Quisera eu acreditar,
Pudera eu acreditar.

Cadê o meu Quintana com as suas utopias?
Foi pro ralo?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Neo-hipismo

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A palavra que tanto guiei,
Surge a mim agora intangível,
Inatingível meio de expressão,
Para o neologismo de tudo o que sinto.